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COMPLEMENTO C3 e COMPLEMENTO C4


O sistema complemento (SC) é o principal mediador humoral do processo inflamatório junto aos anticorpos. Compõem, juntamente com algumas linhagens celulares e mecanismos de barreira, o sistema imune inato do organismo, com função importante na defesa humoral inespecífica. É constituído por um conjunto de proteínas (cascata protéica), tanto solúveis no plasma como expressas na membrana celular, e pode ser ativado por diversos mecanismos.
A deficiência de uma ou mais proteínas da cascata do SC pode ser responsável pela suscetibilidade aumentada a várias doenças. As deficiências podem ser genéticas, quando poderão faltar componentes de ativação, de regulação ou mesmo de receptores ou adquiridas. Por outro lado, o aumento da concentração sérica das proteínas do sistema de complemento pode ocorrer em conseqüência de uma resposta de fase aguda (trauma, inflamação ou necrose tissular), obstrução biliar, e glomeruloesclerose local, servindo de indicativos para estas condições.
As proteínas do Sistema de Complemento são sintetizadas principalmente nos hepatócitos e macrófagos/monócitos, além de outros tecidos. As proteínas reguladoras ligadas à membrana celular são sintetizadas nas células sobre as quais estão expressas.
O SC participa dos seguintes processos biológicos: fagocitose, opsonização, quimiotaxia de leucócitos, liberação de histamina dos mastócitos e basófilos e de espécies ativas de oxigênio pelos leucócitos, vasoconstrição, contração da musculatura lisa, aumento da permeabilidade dos vasos, agregação plaquetária e citólise.
Para que o SC exerça as suas funções, deve ser ativado, originando assim uma série de fragmentos com diferentes características e funções especificas. Esta ativação ocorre por duas vias: a clássica e a alternativa. Cada uma delas é desencadeada por fatores diferentes, sendo o início da ativação diferente para cada uma, mas que convergem em uma via comum a partir da formação de C3b.
Sua ativação tanto pela via clássica como pela via alternativa leva à formação do complexo lítico de membrana (CLM), que destrói células. A opsonização leva ao reconhecimento das moléculas do SC pelos receptores para complemento nos fagócitos e pelas imunoglobulinas.
A multiplicidade e a potência das atividades biológicas geradas quando o complemento é ativado, e, em particular, a capacidade do complemento de mediar as reações inflamatórias agudas e de produzir lesões letais nas membranas celulares constituem uma ameaça não apenas para os patógenos invasores mas também às células e aos tecidos do hospedeiro. Esse potencial de autolesão da ativação do complemento é normalmente mantido sob controle efetivo por diversos inibidores e inativadores que atuam em pontos de amplificação enzimática, bem como em nível das moléculas efetoras.
Em seu conjunto, as proteínas de controle do complemento realizam duas funções importantes: asseguram que a ativação do complemento seja proporcional à concentração e à duração da presença dos ativadores do complemento e protegem as células do hospedeiro contra o potencial deletério dos produtos de ativação do complemento.


Ativação do Sistema de Complemento

A ativação da via clássica do SC é iniciada pela ligação de C1q à porção Fc de uma imunoglobulina. A via alternativa é ativada continuamente na fase fluída em pouca intensidade; na presença de um ativador exógeno, esta é amplificada. Isso inicia uma cascata de eventos proteolíticos, resultando na formação de um complexo protéico. Esse complexo liga-se à membrana das células-alvo e provoca a formação de "poros", que permitem um influxo descontrolado de água e íons, com turgência e lise celular subseqüentes. Para controlar a atividade do SC, há inibidores endógenos regulados pela própria citólise. Essa regulação protege as células autólogas do ataque do SC.

Via Clássica de Ativação do SC
Essa via foi assim denominada por ser a primeira a ser descrita. Fazem parte dela os componentes C1, C4, C2 e C3 ativados em cascata.

Componente C4
É a segunda proteína sérica a ser ativada nesta via. É uma betaglobulina composta por três cadeias polipeptídicas denominadas alfa, beta e gama, com p.m. de 210 kD. A molécula de C4 contém uma ligação tioéster na cadeia alfa. A clivagem de C4 por C1s forma C4a e C4b. Como resultado desta clivagem, a ligação tioéster da cadeia alfa converte-se em uma ligação instável, suscetível ao ataque de grupos nucleofílicos.


Via Alternativa de Ativação do SC

Em 1954, Pillemer demonstrou que o complemento podia ser ativado por outros agentes, além do complexo antígeno-anticorpo, pela evidência de que a incubação de soro não imune com polissacarídeos como o zimosan podia levar ao consumo do complemento C5.
A presença de certos agentes como determinados fungos e bactérias, alguns tipos de vírus e helmintos com determinadas características, especialmente a ausência de ácido siálico na membrana, são suficientes para ativar a via alternativa, através da ligação de uma ou mais moléculas de C3b na sua superfície. A membrana da hemácia de coelho possui também esta propriedade.
A via alternativa pode também ser ativada por lipopolissacarídeos presentes em membranas de várias bactérias, proteínas da superfície viral e de parasitas, enzimas tipo tripsina, alguns imunocomplexos e o fator de veneno de cobra. Há evidências de que alguns constituintes subcelulares do músculo cardíaco também podem ativar a via alternativa. No entanto, a ativação da via alternativa depende dos seguintes fatores: fator D, fator B, properdina e C3.

Componente C3
A molécula de C3 cumpre um papel importante no SC, já que faz parte de ambas as vias de ativação da cascata. É uma betaglobulina com peso molecular de 195 kD. A molécula de C3 contém uma ligação tioéster interna inerte, a qual pode ser hidrolisada pela água, iniciando assim a ativação da via alternativa.


Características dos Produtos

Finalidade
Determinação quantitativa do componente C3 e C4 em soro ou plasma humano.

Metodologia
Imunoturbidimetria
Os anticorpos anti-C3 e anti-C4 formam compostos insolúveis quando se combinam com o C3 e C4, respectivamente, da amostra do paciente, ocasionando uma relação de absorbância proporcional à concentração, que pode ser quantificada por comparação com um calibrador de C3 e C4 de concentração conhecida.


DESEMPENHO DOS PRODUTOS


COMPARAÇÃO DE MÉTODOS

O Kit de Complemento C3 Bioclin foi comparado com outro método para dosagem de Complemento C3 comercialmente disponível. Foram realizadas 07 análises e os resultados foram avaliados. Obteve-se a equação linear Y = 1,041X + 4,39 e o coeficiente de correlação 0,999. O kit de Complemento C4 Bioclin obteve equação linear Y = 0,991X + 1,14 e o coeficiente de relação 0,998, quando avaliado em comparação ao Kit Referência. Com estes resultados pode-se concluir que os kits apresentam boa especificidade metodológica.

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REPETIBILIDADE:

Foram realizadas 20 dosagens sucessivas de complemento C3 e C4 obtendo os seguintes resultados:

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REPRODUTIBILIDADE:
Foram realizadas 20 dosagens durante 3 dias consecutivos do Complemento C3 e do Complemento C4, obtendo-se os seguintes resultados:

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LINEARIDADE
Para o Kit Complemento C3 Bioclin, a reação é linear até concentração de 600 mg/dL. Para o Kit complemento C4 Bioclin , a reação é linear até concentração de 150 mg/dL. Para valores maiores, em ambos os casos, diluir a amostra 1:5 com Cloreto de Sódio 9g/L e repetir a determinação. Multiplicar o resultado obtido pelo fator de diluição.

SENSIBILIDADE
A sensibilidade foi determinada a partir de 20 dosagens de uma amostra de concentração 0 (zero) de Complemento C3 e, igualmente para C4. Obteve-se a média 0,01 mg/dL com desvio padrão de 0,01 mg/dL para o Kit C3 e média 0,075 mg/dL com desvio padrão de 0,044 mg/dL para o Kit C4. A sensibilidade, que indica o Limite de Detecção do Método, corresponde a 4 vezes o Desvio Padrão, sendo 0,04 mg/dL para C3 e 0,176 mg/dL para C4.

ESTABILIDADE
A estabilidade dos reagentes foi demonstrada através de estudos bibliográficos da metodologia, juntamente com os testes de bancada realizados durante o desenvolvimento do kit, incluindo testes de stress a temperatura. Para assegurar a estabilidade são feitos testes de monitoração dos reagentes, utilizando soros controle da Control-Lab, da Sociedade Brasileira de Patologia Clínica, e soros controles comerciais.

REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA:
1. Clinical Guide to Laboratory Tests, Edited by NW Tistz W B Saunders Co., Philadelphia, 483,1983.
2. Carrol MC. Annual Review of Immunology 1998;16:545-568.
3. Lambris JD. Cruse JM Lewis RE Jr (eds): Complement Today. Complement Profiles. Basel, Karger, 1993; Vol1:16-45.
4. Pesce AJ and Kaplan, LA. Methods in Clinical Chemistry. The CV Mosby Company, St. Louis MO, 1987.
5. Dati F et al. Eur J Clin Chem Clin Biochem 1966;14:401-406.
6. Young DS. Effects of Disease on Clinical Laboratory Test, 3th ed. AACC Pres, 1997.
7. Müller-Eberhard, H.H., Ann. Rev. Biochem. 44, 697 (1975)
8. Lachmann, P.J., Hobart, M.J. and Ashton, W.P. (1973) in Handbook of Experimental Immunology, 2nd Ed., 16, Ed. D.M. Weir, Blackwell Scientific Publications

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Complemento C3 - K076-1 ..................Complemento C4 - K077-1

 
 

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