A
ferritina é a proteína de armazenamento de ferro
e existe como moléculas individuais ou sob a forma
de um agregado (Figura 1). Possui peso molecular de aproximadamente
450.000 dáltons e é composta de 24 subunidades
polipeptídicas. As subunidades polipeptídicas
formam uma camada externa dentro da qual reside uma cavidade
de armazenamento do fosfato de óxido de ferro hidratado
polinuclear. Mais de 30% do peso da ferritina (4.000 átomos
de ferro em cada molécula de ferritina) consiste de
ferro. A ferritina agregada, chamada de hemossiderina, é
visível à microscopia óptica e constitui
cerca de um terço das reservas normais, uma fração
que se eleva à medida que as reservas aumentam. (1)
|
Fig.
1 - Estrutura da ferritina.
Fonte: Metalloproteins (2006).
|
|
Em
condições de equilíbrio dinâmico,
o nível sérico de ferritina correlaciona-se
com as reservas corporais totais de ferro; logo o nível
sérico de ferritina é o teste laboratorial mais
conveniente para estimar as reservas de ferro (Tabela 1).
(2) Os dois principais locais de armazenamento
de ferro são o sistema reticuloendotelial e os hepatócitos,
embora também ocorra algum armazenamento no músculo.
(1)
Tabela
1 - Determinação das reservas de ferro.
| -------------------------------------- |
| Reservas
de Ferro |
Ferritina
Sérica |
| |
µg/L |
| -------------------------------------- |
| 0 |
< 15 |
| 1-300
mg |
15-30 |
| 300-800
mg |
30-60 |
| 800-1000
mg |
60-150 |
| 1-2
g |
>
150 |
| Sobrecarga
de ferro |
>
500-1000 |
| -------------------------------------- |
Fonte:
Harrison (2006).
O
valor normal da ferritina varia de acordo com a idade e o
sexo do indivíduo. Os homens adultos apresentam níveis
séricos de ferritina de cerca de 100 µg/L,
e as mulheres adultas apresentam níveis médios
de 30 µg/L
(Tabela 2). Quando ocorre depleção das reservas
de ferro, a ferritina sérica cai para < 15 µg/L.
Esses níveis são quase sempre diagnósticos
de ausência de reservas corporais de ferro.
(2)
Tabela
2 - Valores normais de ferritina por sexo/idade.
| ---------------------------------------------- |
| Sexo
/ Idade |
Ferritina
Sérica |
| . |
µg/L |
| ---------------------------------------------- |
| Recém-nascidos |
25-200 |
| Crianças
com 1 mês |
200-600 |
| Crianças
de 2 a 5 meses |
50-200 |
| Crianças
de 6 meses a 15 anos |
7-142 |
| Homens
adultos |
30-200 |
| Mulheres
adultas |
20-110 |
| Excesso
de ferro |
>
400 |
| ---------------------------------------------- |
Fonte:
Wallach (1999).
A ferritina sérica é o teste mais
sensível e mais específico para deficiência
de ferro. Diminui antes que a anemia e outras elevações
ocorram; e nenhuma outra condição provoca nível
baixo. Após o início do tratamento com ferro oral,
em poucos dias, a ferritina sérica retorna ao intervalo
de variação normal. Assim, a incapacidade de produzir
nível de ferritina sérica superior a 50 µg/L
sugere não adesão ao tratamento ou perda continua
de ferro. (3)
A
ferritina sérica estará aumentada em pacientes
com várias patologias hepáticas agudas e crônicas,
alcoolismo (diminui durante a abstinência), malignidade
(como leucemia e doença de Hodgkin), infecção
e inflamação (Exemplo: artrite), hipertiroidismo,
doença de Gaucher, infarto agudo do miocárdio,
entre outros. Também estará aumentada em anemias
outras que a deficiência de ferro (Tabela 3), como a
megaloblástica, hemolítica, sideroblástica,
talessemias maior e menor, esferocitose e porfiria cutânea
tardia. (3)
Tabela
3 - Ferritina no diagnóstico diferencial da anemia
microcítica hipocrômica.
| ---------------------------------------------- |
| Sexo
/ Idade |
Ferritina
Sérica |
| ---------------------------------------------- |
| Deficiência
de ferro |
Baixa |
| Alfa
- Talessemia |
Elevada |
| Beta
- Talessemia |
Elevada |
| Doença
por anemia crônica |
Elevada |
| Anemia
Sideroblástica |
Elevada |
| ---------------------------------------------- |
Fonte:
Sacher (2002).
Por
conseguinte, a dosagem da ferritina sérica fornece
uma evidência importante de distinção
entre a anemia por doença crônica e a anemia
ferropriva. Nos quadros de deficiência de ferro os valores
de ferritina sérica estão abaixo de 10 µg/L,
enquanto que na anemia por doença crônica encontram-se
entre 50 e 2000 µg/L.
(6,7,8)
A
ferritina sérica pode ser determinada confiavelmente
pelos testes radioimunológico, imunoenzimático,
imunoradiométrico e imunoquimioluminescente. (5)
Referências
bibliográficas
1- GOODMAN and Gilman's the pharmacological basis of therapeutics.
10.ed. New York: McGraw-Hill, 2001
2- HARRISON medicina interna. 16.ed. Rio de Janeiro: McGraw-Hill,
2006
3- WALLACH, Jacques B. (Jacques Burton). Interpretação
de exames de laboratório / Jacques Wallach ; supervisão
da edição brasileira: J.B.Greco. 6. ed.
4- METALLOPROTEINS. Disponível em: http://www.itqb.unl.pt/~Metalloproteins_
Bioenergetics/news/DN_Bfr.htm. Acessado em: 26/11/2006
5- HENRY, John Bernard. Diagnósticos clínicos
e tratamento por métodos laboratoriais. 19. ed. São
Paulo: Manole, 1999
6- TIERNEY JÚNIOR, Lawrence M.; MCPHEE, Stephen J.;
PAPADAKIS, Maxine A. (Ed.). Diagnóstico e tratamento.
São Paulo: Atheneu, 2001
7- SACHER, Ronald A.; MCPHERSON, Richard A. Widman : interpretação
clínica dos exames laboratoriais. 11.ed. São
Paulo: Manole, 2002
8- GORINA, Alfoso Balcells. A clínica e o laboratório
: interpretação de anáises e provas funcionais.
16. ed. Rio de Janeiro: Medsi, 1996.
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